O QUE ACONTECEU?
Realmente não sei.
Só sei que as coisas começaram a ficar desconfortáveis.
Essas coisas eu quero dizer, o comportamento, as atitudes, os gestos, em nada eu mais me assemelhava, por que? Eu realmente não sei.
Ah talvez seja os novos círculos de amizade, os caminhos tomados com estradas e convivências diferentes fizeram com que o pensamento mudasse, é certo que não somos as mesmas pessoas de ontem, mas porque sinto que a essência daquilo que me fez admirar a pessoa que você é, se perdeu? Eu realmente não sei.
Ok vamos lá, é um exercício difícil de fazer, ter que ficar remoendo lembranças de momentos que nos machucaram, confesso que sou do tipo que procura esquecer, deixar em um canto isolado da mente, na espera do desaparecimento voluntário, apesar da plena consciência de que alguma hora essa lembrança voltará para me assombrar ainda assim aproveito o máximo de sua ausência, que mania viciosa essa a minha…
Pois bem, sinto um enorme embrulho no estômago só de relembrar dos breves segundos, foi tão rápido, ainda bem que estava um pouco alterada pelos copos de cerveja, anestesia pura, se estivesse sóbria ai seria pior, que desculpa eu teria por não ter reagido? Eu realmente não sei.
O fato é que quando puxamos o gatilho e a bala atinge o alvo e o perfura, é possível retira-la mas os estilhaços se espalham sobre a pele e se camuflam e lá ficam. É assim com as palavras ditas de forma equivocadamente agressiva, você as solta, elas infiltram como um sopro frio em seus ouvidos, e o tempo as faz se esvair, mas ainda continuarão lá percorrendo os espaços de seu subconsciente em zigue zague repetido.
Agora mais calma e decidida do que fazer, imagino cada palavra solta em tom grave e pausadamente distribuída que formam um loop infinito que não sai da minha mente de jeito nenhum, você puxou o gatilho e me acertou em cheio, quero me esconder, igual as lembranças ruins, quero me auto deletar e recomeçar, mas ainda estou em choque pelo que aconteceu, não acredito que o inevitável enfim aconteceu, convenhamos nada é como era antes, veja pelos silêncio que passamos, quem nos vê nem imagina que esse casal já passou horas conversando pelo telefone, e agora agem como se tivessem se conhecido a 5 minutos atrás através de um amigo em comum.
A distância entre nós está fixa, ela cobra uma taxa alta da gente, quer que provemos nossa capacidade de superar as diferenças, ela espera que deixemos o orgulho de lado mas a questão aqui não se trata mais de afastamento, do próprio orgulho, ou das diferenças, a verdade é que não nos suportamos mais, essa relação está desgastada, saturada, enfraquecida, não temos forças para continuar com algo que claramente não está dando certo, ficaremos em dívida com a distância, pois o que nos resta é seguir caminhos que desejamos e que nos faz bem e isso é o que eu realmente sei, temos o dever de torcer um pelo outro, ora ou outra visualizando a timeline, nos curtindo, reagindo e interagindo de alguma forma, ainda que virtualmente, pois presencialmente se tornou inviável, encaro como um novo ciclo que se inicia, nossos “eu” de hoje são opostos, futuramente quem sabe tenham algo que possam se assemelhar.

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