Viajando na maionese

Nunca lhe pedem nada, pois parece que nunca fora capaz de ir ao supermercado e trazer o que pediram. É tão difícil assim seguir uma lista?   Parece que adora se confundir. Na fila do Subway, quando chega sua vez, sente aquele friozinho na barriga, olha nos olhos do atendente e depois para o cardápio.

Em seguida, olhando para o vidro transparente que contém os ingredientes, não entende por que pensou na prova de matemática naquele exato momento, tão crucial era seu pedido, mas parece que deu TILT.

Certo dia resolveu pesquisar na internet o que poderia ser essa “habilidade” que ora lhe trazia benefícios e ora transcendia uma estupidez cognitiva, assim pensava. Realizou um teste online com 20 questões, as quais se resumiam ao seu cotidiano, e o resultado foi: tinha TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).

Tal desfecho lhe impulsionou pensamentos mirabolantes, acreditou brevemente ser autista e foi ainda mais longe ao pensar que seu cérebro apenas havia pendurado a chuteira e se aposentado mais cedo.
Por que viajar na maionese é tão bom?

Viver dois mundos é complicado demais.

Dá trabalho ter que mantê-los em equilíbrio e aparentar ser comum ao conseguir a proeza de ir comprar 2kgs de batatas, uma dúzia de ovos e uma cebolinha, mas sempre acaba se esquecendo dos ovos.


 E imagine só qual dos mundos é o mais interessante. Certamente é aquele que você, antes de sair de casa, conecta os fones no MP3 e nos ouvidos, dá o “play” na playlist repleta de músicas que te fazem arrepiar os cabelinhos do braço e, no fim da sua missão, olhando nos olhos da moça do caixa que lhe pergunta a forma de pagamento, você retira um dos fones do ouvido – ainda é jovem para conseguir se sair bem e sem nenhum vestígio do seu mundinho – e o choque com o mundo real, enfim, é refletido no embaralhar de suas palavras: Crébito.

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